sexta-feira, 23 de maio de 2014

Porque fazer dieta sem glúten não é o suficiente

Dra. Vikki  Petersen

Tradução: Google / Adaptação: Raquel Benati




Eu tenho uma implicância quando se trata da área de doença celíaca e sensibilidade ao glúten não-celíaca: é sobre as recomendações associadas ao tratamento.

Quais são essas recomendações? A dieta sem glúten. E é isso, apenas isso.

Não há nada de errado, é claro, com a recomendação de uma dieta livre de glúten, mas quando isso é tudo o que é recomendado,  é onde eu vejo um problema, um grande problema. 

Por quê? Instituir exclusivamente uma dieta livre de glúten nunca será (pelo menos 95% do tempo) o suficiente para levar uma pessoa a recuperar completamente sua saúde. Eliminar o glúten da dieta é difícil e se espera  pelo menos colher os benefícios de se sentir bem, afinal, o objetivo é melhorar muito a saúde de um paciente.  É por esta razão que criamos o termo "efeitos secundários do glúten". É o que usamos, depois de um diagnóstico, para resolver tudo o mais que precisa ser cuidado depois de ter começado uma dieta livre de glúten. 

Vimos o valor de enfrentar os efeitos secundários do glúten nas duas últimas décadas. No entanto, eu continuo a ser surpreendida com a falta de consciência associada apenas a implementação de uma dieta livre de glúten com este grupo de indivíduos. 

Os resultados de um estudo em curso 

Eu  fiquei feliz em ver os resultados de um ensaio clínico em curso para  pacientes celíacos. O estudo acompanhou 117 adultos nos Estados Unidos, com um diagnóstico de doença celíaca. Estes indivíduos  aderiram a uma dieta livre de glúten "o melhor que podiam."  Em média, estes indivíduos tinham recebido seu diagnóstico ao longo de seis anos antes. Em outras palavras, eles não eram novatos em seguir uma dieta livre de glúten. 

Apesar de seu status de "veterano" e seus esforços para seguir uma dieta livre de glúten, os pesquisadores descobriram o seguinte: 

• 95% (111 dos 117 participantes) apresentaram evidência de inflamação em curso do forro de seu intestino delgado; 

• Em 65% dos indivíduos, a inflamação era tão extensa que era parecida com a de pacientes com doença celíaca ainda não tratada;

• Mesmo aqueles celíacos cujos testes de sangue eram negativos para anticorpos (ou seja, o seu exame de sangue para a doença celíaca ativa foi negativo), eles ainda demonstravam inflamação significativa de seu intestino delgado semelhante ao dano visto antes de adotar uma dieta livre de glúten. 

O que significa isso tudo? Exatamente o que eu e meus colegas médicos aqui no HealthNow temos apontando há quase duas décadas: instituir uma dieta sem glúten não pode ser a única ação de uma pessoa diagnosticada com a doença celíaca ou sensibilidade ao glúten não-celíaca.

É preciso ser feito mais: 

1. Testar a presença de infecções do trato intestinal; 

2. Verificar se existem outras sensibilidades alimentares (as mais comuns são ao leite, milho, soja );

3. Testar para ver se ocorre alguma reação cruzada de alimentos (testes disponíveis apenas nos Estados Unidos);

4. Garantir que a população de probióticos no intestino delgado seja saudável e robusta;

5. Descartar qualquer deficiência de enzimas ou  deficiências nutricionais; 

6. Normalizar qualquer desequilíbrio hormonal ou adrenal; 

7. Excluir todas as outras fontes de toxinas, tais como a Doença de Lyme ou toxicidade de metais pesados; 

​​8. Garantir que o indivíduo esteja em uma dieta livre de glúten saudável, não apenas uma dieta livre de glúten. Isso faz muita diferença pois estamos vendo as pessoas se enfiarem de cabeça numa dieta sem glúten "junk food" (frituras, massas, salgados, bolos, tortas, etc). Você pode fazer dieta sem glúten e mesmo assim não comer sua porção diária de frutas, legumes e verduras, como um exemplo. 

Essa é a lista. Como você pode ver, não é terrivelmente longa, nem envolve o uso de qualquer remédio assustador ou cirurgia. Mas se você não resolver os fatores que são pertinentes aos celíacos, você vai acabar como os participantes deste estudo: com um intestino inflamado e, portanto, com um aumento do risco de linfoma (câncer), para não mencionar outras complicações graves de saúde . 

Isso  não seria justo!

Recomendar apenas uma dieta livre de glúten para celíacos é inaceitável. Eu percebo que a razão para este problema reside justamente na arena de produtos farmacêuticos. Os médicos neste país realmente não sabem o que fazer com uma doença que não tem um medicamento para controlá-la.  Porque a doença celíaca não tem medicação para tratá-la, e é conhecida por responder a uma dieta livre de glúten, que é o que eles recomendam. E isso é tudo o que eles recomendam. 

Os efeitos secundários (como delineados acima) não são ações típicas em ambientes médicos tradicionais, e eu acho que é por isso que nós não os vemos ocorrendo. Mas é em detrimento do paciente e esta pesquisa reforça a tese. 

O que você pode fazer?

Se você tiver a doença celíaca ou sensibilidade ao glúten não celíaca, e tudo que você faz é seguir uma dieta livre de glúten, eu recomendo que você encontre um profissional de saúde que possa ajudá-lo a determinar quais os efeitos secundários devem ser identificados para então garantir a cura total de seu intestino e otimizar sua saúde . 


Dr. Vikki Petersen, DC, CCN
IFM Certified Practitioner
Founder of HealthNOW Medical Center
Co-author of “The Gluten Effect”


sábado, 10 de maio de 2014

Não contém glúten. Ufa!

Dra. Denise Mairesse*
31/03/2010



Quem ainda não leu ou escutou sobre o mais novo vilão do século XXI: o glúten? Contém glúten ou não contém glúten é um enunciado presente na maioria das embalagens dos alimentos industrializados. Trata-se de uma proteína encontrada em alguns cereais, como o trigo, a cevada, o centeio, o malte e a aveia, e causa grandes danos a quem é alérgico. Pessoas com esse problema são portadoras da Doença Celíaca, mal que, em função de inflamação no intestino delgado, compromete as vilosidades responsáveis pela absorção dos nutrientes.

Você que não tem restrições ao glúten e é um amante de gastronomia italiana, já se imaginou resistindo a uma pizza ou lasanha como a da “nona”? Você que adora viajar e frequentar lugares exóticos, experienciar outras culturas a partir dos seus sabores, já imaginou precisar perguntar a cada prato quais ingredientes foram usados, como foi preparado, se havia algum glúten passeando por perto da caçarola no momento em que seu camarão estava sendo preparado, ou mesmo saltitando no avental do chef?

Comer fora de casa, nesses casos, torna-se uma aventura nem sempre vibrante, pela superação dos desafios, mas um suplício pelo enfrentamento de “caras e bocas” dos garçons, gerentes, “chefs” de cozinha e clientes quando o interrogatório sobre os pratos se inicia. Taxado muitas vezes de neurótico obsessivo, hipocondríaco ou simplesmente chato, os portadores da Doença Celíaca são vítimas de preconceito e alvo de piadas. A dor física e psíquica gerada pela presença da alergia, se curada pela não ingestão do glúten (único tratamento existente), é substituída pelo sofrimento da condição do “ser diferente”, como se não bastasse a saudade que a falta do sabor dos alimentos inflige. A saudades daquele gosto do bolo de chocolate que a mãe preparava para o lanche junto com os amigos ou para o piquenique no parque. O do cachorro quente, entrada principal no cardápio das festinhas de aniversário, o da pizza de domingo, da macarronada instantânea dos acampamentos. Na cultura judaica, em que se comemora o “Pessach” em torno das refeições regadas a “matzá” e “kneidales”, alimentos a base de trigo, também deixam sua marca saudosa. Ou seja: como ser judeu sem comer o “matzá”? Ou ser cristão sem receber a hóstia?

A restrição total ao glúten traz um grande sofrimento para algumas pessoas, principalmente para aquelas a quem os alimentos têm um lugar de afeto e prazer primordial na vida. Assim, os primeiros tempos de descoberta da doença exigem não somente uma elaboração em torno da experiência nutricional e gastronômica, mas da própria identidade e dos valores atribuídos à vida. Nas reuniões sociais é necessário deslocar o prazer dos quitutes servidos para focá-lo no que, desde então, essas ocasiões explicitamente propõem: boas conversas, música, dança ou outras formas de lazer. Muitas vezes, esses propósitos são esquecidos por estarem recobertos por um tipo de apelo emocional dos alimentos. Este é um dos modos de descobrir o quanto se poderia, até ter se deparado com o problema com o glúten, estar se perdendo e o que se passa a ganhar com um outro olhar sobre a vida. Ela torna-se híbrida, mais colorida, divertida. A sociabilização adquire novos sentidos, não se aceita mais comodamente qualquer companhia ou passeio. O tempo e o espaço passam a trazer experiências que não podem mais ser camufladas por uma fatia de torta ou por um copo de cerveja. O que passa a estar em jogo é o que entra e sai pela boca em forma de palavra, de discurso − nem mesmo a pipoca do cinema, que raramente contém glúten, consegue se sobrepor ao gosto pelo filme. O sabor só se sustenta pelo meio e não mais vice-versa.

Assim, se realiza o “luto” por “velhos sabores”, já que alguns são perdidos para terra do “nunca mais”, mas que também oferecem lugar a essas novas experiências. E, também, ao resgate de sabores que deveriam sempre fazer parte constante do nosso dia a dia. Como os das frutas da época, deliciosas como só elas. O sabor de um feijão bem feito, como o da “tia Anastácia”, ou dos doces campeiros que encontramos com fartura: a ambrosia, o pudim de leite, as compotas e muitos mais que guardam em si um gostinho de casa da vovó.

Portanto, é fundamental lembrar mais do que se ganhou do que se perdeu, passar a valorizar os novos sabores, as novas receitas, outros velhos paladares muitas vezes esquecidos. Lembrar que, muitas vezes, no momento do interrogatório nos restaurantes teve alguém que se preocupou, fez questão de pesquisar ou preparar algo especialmente para você. Que existem pessoas que respeitam a diferença e que nesse momento você também passará a respeitá-las e valorizá-las mais, não somente as pessoas, mas a própria diferença. Que estar nessa condição é difícil, mas também pode ser especial pelas possibilidades originadas. E, enfim, lembrar que se você optar pela vida apesar de sua condição de imperfeição ao invés de vivê-la na melancolia pela intolerância com sua própria falta, perceberá que em sua condição de humano e ser faltante se tornará realmente belo. Efeito do brilho que você adquire quando vive plenamente todas as suas possibilidades.

http://dradenisemairesse.blogspot.com.br/2010/03/nao-contem-gluten-ufa.html

*Psicanalista- Membro da Associação Psicanalítica de Porto Alegre (APPOA) - Formada em Psicologia - Mestre e Doutora pela UFRGS -atuando em consultório privado - atende a Cabergs e particular.

Muitas pessoas com sensibilidade ao glúten não-celíaca não fizeram exames adequados


Por SHEREEN JEGTVIG
NOVA YORK - 07 de maio de 2014

Tradução: Google / Adaptação: Raquel Benati



(Reuters Health) - As pessoas que acreditam serem sensíveis ao glúten nem sempre foram adequadamente testadas para descartar a doença celíaca, relata um novo estudo.

Jessica R. Biesiekierski disse à Reuters Health que as pessoas com dificuldade de digerir o glúten, que não são testados para a doença celíaca podem não receber tratamento adequado, o que poderia levar a problemas de saúde. Ela liderou o novo estudo na Clínica Escola de Saúde do Leste da Universidade de Monash e Alfred Hospital, em Melbourne, Victoria, Austrália .

A doença celíaca é uma condição autoimune em que comer glúten - uma proteína encontrada em cereais como trigo, cevada e centeio - danifica o revestimento do intestino, resultando em sintomas digestivos e potenciais complicações. Algumas pessoas que não tem doença celíaca (DC) ou não foram testados para DC, tem sintomas semelhantes e eles acreditam que são acionados pelo glúten.

"Há uma grande quantidade de desinformação em torno do glúten, do trigo e alergias e sensibilidades. O grupo das pessoas com "sensibilidade ao glúten não-celíaca"  permanece indefinido e em grande parte ambíguo por causa da "pouca evidência científica", disse Biesiekierski em um e-mail. "Esta entidade - "sensibilidade ao glúten não-celíaca" tornou-se um dilema, pois os pacientes são fortemente influenciados por médicos alternativos, sites da Internet e meios de comunicação, onde todos proclamam os benefícios de se evitar alimentos que contenham glúten", disse ela.

Para saber mais sobre a sensibilidade ao glúten não-celíaca, os pesquisadores entrevistaram pessoas que acreditavam que eram sensíveis ao glúten, fazendo perguntas sobre sua dieta, os sintomas relacionados ao glúten e todos os exames que tinham realizado. Eles inscreveram 147 participantes de Melbourne. Os participantes estavam em seus 40 anos, em média, e a maioria era mulheres. 72%  não conheciam a descrição de sensibilidade ao glúten não-celíaca, de acordo com resultados publicados em Nutrição na Prática Clínica. Por exemplo, eles não tinham feito exames para descartar a doença celíaca,  antes de seguir uma dieta livre de glúten. 

Os pesquisadores também descobriram que 44% dos participantes começaram a dieta isenta de glúten por conta própria e 21%  fizeram a dieta seguindo conselhos de um profissional de saúde alternativa. O restante fez a dieta sem glúten com base nas sugestões de nutricionistas ou médicos de clínica geral. Cerca de 58% dos entrevistados acreditavam que eles seguiam uma dieta estritamente sem glúten, mas um olhar detalhado sobre os seus hábitos alimentares confirmou que eles estavam expostos à contaminação cruzada por glúten. Cerca de 1 em cada 4 pessoas ainda tinham sintomas, enquanto seguiam uma dieta livre de glúten.

Biesiekierski disse que as pessoas devem consultar um gastroenterologista para fazer os exames definitivos antes de iniciar uma dieta sem glúten. "O teste para a doença celíaca se torna menos preciso e pode demorar mais tempo se o glúten já foi removido da dieta", disse.

Dr. Alessio Fasano enfatizou a questão de que a doença celíaca e outras possíveis causas de sintomas devem ser excluídos antes de uma pessoa ser diagnosticada com sensibilidade ao glúten não-celíaca. Ele dirige o Centro de Pesquisa Celíaca no Massachusetts General Hospital for Children, em Boston e não estava envolvido no estudo. "A questão é o que realmente desencadeia isso -  houve uma tremenda confusão porque não temos uma definição clara sobre o diagnóstico da doença", Fasano disse à Reuters Health. Também disse que os sintomas da sensibilidade ao glúten não-celíaca não estão limitados a problemas digestivos. "Estamos falando de erupções cutâneas, dores de cabeça, mente "confusa", dor articular, anemia e diarreia - e não apenas  síndrome do intestino irritável", disse ele. 

As pessoas que se autodiagnosticam com sensibilidade ao glúten muitas vezes sofrem de doenças crônicas e têm tentado, sem sucesso, encontrar as razões para seus problemas de saúde, disse Fasano. "Eles começam pesquisando no Google a sua condição e se depararem com essa idéia de que eles podem ter esta sensibilidade ao glúten ". Os pesquisadores ainda estão aprendendo sobre a sensibilidade ao glúten não-celíaca, e, portanto, há uma série de incertezas, Fasano observou. "No entanto, após meses, se não anos, de busca de uma resposta para as questões do porquê eles estão tendo esses sintomas, os pacientes decidem por conta própria iniciar uma dieta livre de glúten, já que não têm nada a perder", disse ele.

FONTE: bit.ly/1qb3Dmr Nutrição na Prática Clínica, em linha abril 16, 2014.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

O valor dos alimentos sem glúten - por que são tão caros?


28 de setembro de 2012 - Grupo Viva sem glúten - facebook

Por Raquel Benati




Todos nós celíacos ou que adotamos uma dieta sem glúten concordamos com uma coisa - nossa alimentação é mais cara do que a da maioria da população. Ninguém aqui compra alimentos sem glúten caros apenas por diversão ou por não ter nada melhor para fazer. Quando ficamos felizes por poder ter acesso a produtos sem glúten saborosos, não estamos dizendo que somos "alienados" e não vemos o que está a nossa volta. Só estamos felizes por poder comer algo igual ou parecido com o que já comemos um dia na vida. Ficamos felizes assim também quando conseguimos que uma receita dê certo e seja aceita por nossos familiares e amigos.

Mas é preciso entender o porque nossa alimentação é mais cara:
1 - se um pão de sal comum usa 3 ou 4 ingredientes, nossos pães podem ter até 18 ingredientes, como é o caso do lindo pão francês que a Leila Zandona criou;
2- o trigo tem carga tributária subsidiada, pois é a base da alimentação de 99% da população brasileira, fazendo com que os alimentos produzido com ele tenham preços acessíveis e mais baratos que frutas e legumes, permitindo que possam ser comprados em qualquer esquina, com data de validade extensa e em quantidade abundante;
3- Nossos produtos são especiais - além do número de ingredientes, a empresa que produz tem responsabilidade dobrada por causa da contaminação cruzada por glúten, aumentando o trabalho com limpeza de ambiente, máquinas, capacitação dos funcionários; o fornecimento de matéria prima é feito por empresas que dão garantias de que não tem traços de glúten, etc., o que nem sempre será da empresa que tem o preço mais competitivo no mercado;
4- A maior parte das empresas que produzem sem glúten estão localizadas no sul do país - os produtos viajam centenas de quilômetros para chegar na nossa casa.
5- Por maior que seja o investimento em pesquisa e tecnologia, ainda estamos engatinhando nessa produção sem glúten e o sabor e textura dos alimentos ainda está longe de ser igual ao que tem glúten;
6 - Para tentar chegar a uma textura mais aceita, nossos produtos são mais calóricos, com mais gordura e açúcar do que os similares com glúten;
7- Não tem conservantes naturais (o glúten também tem esse papel de ajudar a conservar) e por isso precisam de geladeira ou tem validade curta - o lojista gasta mais com energia elétrica, equipamento e espaço dentro da loja e ainda perde o produto se ele não tiver saída;

E assim por diante - poderíamos ficar aqui escrevendo sem parar sobre esse assunto.

Uns podem comprar produtos da Schar, outros podem comprar Casarão ou Urbano, e muitos não podem comprar e nem tem acesso a nada disso. Comem arroz com feijão, legume e verdura no café da manhã, almoço e jantar e pipoca e frutas nos lanches - se tiverem gás ou lenha pra cozinhar.

O que nós celíacos podemos fazer para mudar essa situação ?

Nossa LUTA deve ser pelo Direito Humano a Alimentação Adequada (DHAA) de TODOS os celíacos desse país. Como fazemos isso ?

Poderia ser:
- apresentando projetos de lei que possam diminuir a carga tributária de alimentos para fins especiais (isso não é para comprar coxinha e pizza, mas para termos produtos saudáveis e considerados essenciais na alimentação das pessoas);
- apresentando projetos de lei, garantindo uma ajuda mensal para as famílias de celíacos carentes desse país...

O que não podemos fazer é reclamar e ponto final. Seja mobilizando as pessoas, seja participando de algum grupo ou associação de celíacos, seja participando dos Conselhos de Saúde, Segurança Alimentar, Alimentação Escolar, etc., é só assim que vamos mudar o que existe hoje.


sábado, 3 de maio de 2014

35 sinais de contaminação por glúten - o que sente um celíaco?

Nadia (blog Barcelona sin gluten)


Tradução: Google / Adaptação: Raquel Benati

Eu acho que é uma das perguntas mais freqüentes que costumamos fazer, tanto por pessoas simplesmente curiosas ou por aqueles que suspeitam que eles também podem ser celíacos: como é o envenenamento por glúten? O que você sente quando come algo com glúten?
A verdade é que não há dois celíacos iguais, por isso não há duas  formas iguais de intoxicação. A mesma pessoa pode sentir diferente a cada vez que se contamina, às vezes é mais suave ou pode ficar semanas arrastando um desconforto residual ... mas em linhas gerais eu vou listar aqui os pontos que são praticamente comuns às manifestações que ocorrem no envenenamento por glúten. Tenha em conta que experimentar algum destes sintomas não significa necessariamente que você seja celíaco, pois o glúten é tóxico em si mesmo e em todas as pessoas saudáveis ​​ele tem algum efeito tóxico, mesmo que imperceptível. Espero que este post abra os olhos dos celíacos assintomáticos, pois estou convencida de que nenhum seja realmente  e que todos nós temos um marcador que se pode prestar atenção.
Então, aqui está a minha lista. 
  1. Fadiga extrema. Parece que você acabou de sair da esteira após 40 min dando o seu máximo. Cansaço nas pernas, braços ... só quer deitar e não se mover mais.
  2. Dor articular. Muitos celíacos sentem dor ao mover as articulações; algo tão simples como abrir a tampa de um iogurte torna-se muito doloroso para alguns de nós. Tanto pode ser dor nas articulações "grandes" (quadris, ombro) ou nas menores, tal como os dedos. Pode piorar ou aparecer a síndrome do túnel do carpo.
  3. Inchaço. Tanto intestinal como de todo o corpo:  incham os pés, as mãos ... de repente parece que sua calça vai explodir!
  4. Não elimina líquidos. Posso intoxicar-me ao meio-dia e não urinar uma gota até o dia seguinte, mas eu sei que alguns celíacos permanecem assim por vários dias.
  5. Dor abdominal. Tanto estomacal quanto do intestino. Há uma grande variedade de sensações: bolhas de água ruidosas no estômago, a dor como de soluços, mas permanente e não pulsátil, dor intestinal (cólicas, cólicas ...), dor no flanco, dor no baixo ventre como cólica menstrual. No meu caso, eu costumo passar por todos eles quase 20 minutos depois de me ter contaminado e vai até cerca de 24 horas mais tarde.
  6. Sede extrema. Esta geralmente aparece no dia seguinte, no meu caso - é como se o corpo começasse a reagir. Coincide com o momento em que eu começo a urinar novamente.
  7. Cérebro enevoado. "Que horas são? desculpe-me, eu já perguntei que hora são? me desculpe novamente, você pode repetir sua resposta? ". É como se você quisesse pensar, mas não consegue, como aquela sensação quando você quer terminar de assistir o episódio de sua série favorita, mas é tarde, você morre de sono e sua mente vai e vem ... Porém isso é o dia todo. Você se sente estúpido, e a verdade é que, para aqueles que não sabem o que há de errado com você hoje, é assim que parece.
  8. Gases. Horríveis, dolorosos, você sente eles se movendo. Às vezes, parece ser na lateral, quase na parte de trás ... é "maravilhoso" se você tem um compromisso com a família ou tem que ir para o trabalho.
  9. Irritabilidade, emotividade excessiva, vulnerabilidade, depressão. Incrível como você começa a nublar a mente quando você está contaminado. De repente, tudo está errado em sua vida, nada tem solução, tudo é uma bagunça. Tudo o que te dizem faz você se sentir mal e você só quer se trancar e ficar sozinho. Já li que uma das razões para isso é que a alteração intestinal produzida pela contaminação/intoxicação anula a produção de endofirnas. Ou seja, não é que  você se sinta mal (emocionalmente falando) por comer glúten, mas realmente há mudanças químicas no seu cérebro quando você come glúten, que fazem você se comportar diferente. De fato, não seguir a dieta ou se intoxicar de forma contínua pode levar a maiores problemas por deficiência de vitaminas do complexo B e pela mencionada alteração intestinal: a falta de libido, distúrbios de atenção, incapacidade de concentração, ansiedade, depressão e até mesmo demência e esquizofrenia. É uma razão forte para que os celíacos que dizem "eu não tenho sintomas, mesmo que coma um pouquinho de glúten " passem a se cuidar como todos os celíacos sintomáticos.
  10. Sintomas de gripe. Vai se sentir exatamente como se você tivesse uma febre alta, só que com temperatura normal. Dor óssea, dor na pele, coceira nos olhos, sensação de frio ...
  11. A perda de temperatura. Sarcasticamente para menos, sim ... você sente como se tivesse realmente febre, mas perde temperatura. Eu tenho experimentado discretas baixas  - o meu recorde pessoal é de 35,8°. Se isso acontece, você deve controlar sua temperatura de perto. As crianças devem manter os 36° e adultos não devem ir abaixo de 35,4°; se você descer a essas marcas ou não conseguir recuperá-las, procure o pronto socorro. 
  12. Problemas de pele. Eczema, rosácea, prurido, desidratação ... o principal para muitos celíacos é a dermatite herpetiforme. No meu caso, a minha pele desidrata de tal maneira que meus braços e pernas descascam no dia seguinte, como escamas.  Uma coisa curiosa que eu experimentei desde que deixei de comer glúten é precisamente o estado da minha pele. Antes de saber que era celíaca a descamação era meu estado normal desde muito jovem, eu tinha que usar um bom creme todos os dias ... até o ano passado, antes do diagnóstico, quando fiquei realmente doente, tinha que passar creme nutritivo ou óleo 3 vezes por dia para tentar controlá-la. Desde que comecei a seguir uma dieta sem glúten eu só uso creme duas vezes por semana ... eu acho que é muito ilustrativo dos danos que o glúten nos causa.


  13. dermatite herpetiforme
  14. Náusea . Muitos celíacos têm episódios de vômitos após a ingestão de glúten ou simplesmente um estado de náusea permanente, mas sem vômitos. Bom, não é o que eu tenho.
  15. Diarréia. Como passar de sólido para ultralíquido em menos de 10 segundos?Pergunte ao celíaco mais próximo! Bem, não quero ser escatológica, mas arde ... é ácido puro.
  16. Episódios de epilepsia. A Literatura  confirma a existênica de casos de pessoas com epilepsia e que param de ter episódios após a eliminação do glúten. Eu não vou entrar no mérito se são todos celíacos, se a epilepsia convive com a doença celíaca,  se é um dos seus sintomas ou uma provoca a outra, mas o fato é que para um celíaco com esse transtorno, a contaminação/intoxicação pode significar ter um ataque.
  17. Dor no peito. Uma sensação de perfurar o peito.
  18. Síndrome das pernas inquietas . Eu sofro desta síndrome, que é geralmente associada a outras doenças como fibromialgia ou síndrome da fadiga crônica, e a verdade é que quase desapareceu quando tirei o glúten. É um dos sintomas menos frequentes quando me contamino, mas voltou em algumas ocasiões.
  19. Zumbido nos ouvidos. Um ruido contínuo nos ouvidos (zumbido) que não seja devido a uma infecção ou trauma (um golpe por exemplo) pode ser devido a uma neuropatia causada por deficiência de vitamina B12 ... um déficit característico da doença celíaca e pode ser causada por contaminações repetidas ou por apenas uma importante. Ela pode durar dias ou semanas após o episódio.
  20. Tontura. Dificuldade de andar em linha reta, tonturas, sensação de não sentir o solo ao pisar no chão...
  21. Palpitações, taquicardia. Felizmente, eu não tenho esse sintoma.
  22. Sudorese. Frequentemente acompanhada de pressão baixa.
  23. Danos à boca. Gengivas inflamadas, aftas, surtos de herpes.
  24. O ganho de peso. Associado com a retenção de líquidos e inchaço em geral. Tenho visto aumentos de até 4 kg de peso em um dia.
  25. Agravamento de patologias associadas. Artrite, lúpus, fibromialgia, fadiga crônica, intolerâncias alimentares ...
  26. Asma. No meu caso eu não tenho asma "normal" ou asma alérgica. Na verdade, a primeira vez que tive uma crise foi aos 26 anos. Só aparece quando me intoxico com glúten.
  27. Dormência (pés, mãos, áreas dispersas do corpo e até mesmo o rosto.) Isso acontece comigo quase todas as vezes.
  28. Ansiedade para comer Junk food / mais glúten. Uma falsa sensação de fome junto com o desconforto estomacal. Parece que o estômago está machucado de tal maneira que quando está vazio doi e incomoda, de forma que você precisa passar o dia "beliscando" para acalmá-lo... só que depois de comer, ele volta a doer. Além disso, você só quer comer o que te conforta:bolo, massas...é como se o mal chamasse o mau. É incrível como o glúten mexe com nossa percepção do que precisamos comer.
  29. Sentimento de Síndrome Pré-Menstrual. Provavelmente outra maneira de descrever um coquetel especial do que foi dito acima: a sensação de gripe, retenção de líquidos, aumento de peso, fadiga, tristeza, fome ...
  30. Sinusite, rinite, asma.
  31. Enxaqueca.
  32. Refluxo gastroesofágico . Muito desagradável para aqueles que sofrem, felizmente não é o meu caso também.
  33. Prisão de ventre. Eu posso parecer insensível, mas invejo os celíacos que tem prisão de ventre. Pelo menos você pode sair sem medo de ter um acidente.
  34. Olhos secos, prurido, lacrimejantes.
  35. Dor nas costas, ciática. Isso é curioso - aparentemente ocorre porque o duodeno (aquele que sofre quando você come glúten) está conectado e fixado ao diafragma e à coluna vertebral por um músculo suspensivo: o ligamento de Treitz. A inflamação do duodeno afeta esse ligamento e provoca uma dor que irradia, sente puxar, etc. ao ponto de ser capaz de senti-lo nas costas.
  36. Sacroileíte: é uma inflamação da articulação sacro-ilíaca, alguns estudos sugerem que até 60% dos celíacos são afetados. Esta condição é controlada com uma dieta sem glúten, mas a dor e a inflamação aparecem cada vez que nós cometemos uma transgressão.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

9 MITOS CELÍACOS QUE PRECISAM SER APOSENTADOS DE UMA VEZ POR TODAS!



Traduzido por REGINA MANCINI, da publicação Simply Gluten Free - escrito por Cheryl Harris.

Há muitos equívocos sobre a doença celíaca e muito ainda para aprender.  É fundamental que as pessoas saibam o básico para obter um diagnóstico preciso, evitar a contaminação, e viver bem. Então, vamos desmascarar alguns mitos comuns quando se trata de doença celíaca e separar os fatos da ficção.

1. Você está acima do peso, então você não pode ter a doença celíaca.

Eu também aprendi isso na escola, mas isso não significa que seja correto. As pessoas com doença celíaca podem pesar menos do que a população em geral, mas a esmagadora maioria têm de peso normal, sobrepeso ou estão obesas no momento do diagnóstico (1).

2. Sua mãe / irmão / primo / etc  tem doença celíaca, mas você não precisa se preocupar . Você não tem problemas de barriga.

Ah, se fosse assim tão simples. Mesmo que algumas pessoas experimentem sintomas clássicos como diarreia e perda de peso, a maioria dos celíacos não têm sintomas, ou apresentam sintomas "atípicos" como a anemia por deficiência de ferro, dores de cabeça, infertilidade e muitos outros. Se você tem um parente de primeiro grau com a doença celíaca, você tem uma chance de 1 em 22. Faça o teste o mais rápido possível (2).

3. Você está velho demais para ter a doença celíaca.

A doença celíaca não discrimina pela idade. Quase um terço dos pacientes recém-diagnosticados têm mais de 60 anos de idade. Já vi pacientes de 80 anos recém-diagnosticados (3).

4 . Pessoas de determinados grupos Étnicos ( Afro-americanos , hispânicos, etc ) não têm doença celíaca.

A doença celíaca é mais comum entre os caucasianos e é rara em outros grupos, mas a África é um continente vasto e um enorme grupo de pessoas se identificam como latino-americanos. A maioria de nós também carregam genes de uma variedade de lugares, de modo que essa lógica é imprecisa. Cinco por cento das pessoas na região do Saara na África têm doença celíaca em comparação com menos de um por cento nos Estados Unidos, portanto claramente não é tão simples como um diagnóstico por grupo racial (4).

5 . " Escutem, celíacos ! Cereais são todos iguais. Todos eles têm glúten e todos eles são veneno. "

Sabemos que quando as pessoas com doença celíaca param de comer glúten (trigo , cevada, centeio ) seus níveis de anticorpos autoimunes quase sempre retornam a um nível normal, mesmo que continuem comendo cereais sem glúten, como milho, arroz e quinoa.  Muitas vezes, muitos ou todos os sintomas desaparecem . Definitivamente, nem todos os cereais têm o mesmo impacto sobre o corpo.

Estudos têm mostrado que muitas vezes apesar de relatarem seguir uma dieta sem glúten, muitas pessoas ainda têm dano intestinal quando são submetidos a uma nova biópsia. Médicos convencionais acreditam que isso aconteça por causa da ingestão acidental de glúten (provavelmente devido à contaminação cruzada), mas alguns consideram que isso é resultado de uma inflamação por outros cereais.

Algumas pessoas, inclusive eu, se sentem mal quando comem cereais. Outras pessoas têm problemas com produtos lácteos, ou soja, feijões, gorduras e muito mais. Se você se sente mal quando come outros cereais, considere removê-los também. Há muitas outras boas fontes de nutrientes. Mas dizer que todos os cereais são a mesma coisa, incentiva uma ladeira escorregadia de desculpas onde comer arroz é equivalente a comer trigo, e nós sabemos que não é verdade. Evitar o glúten não é negociável . O resto é bastante individual.

6. Basta tirar  o glúten da dieta. Se você se sentir melhor, vamos fazer os testes. 

A parte mais surpreendente da doença celíaca é que uma vez que você pare de comer glúten, o intestino começar a sarar . Ausência de glúten significa ausência de danos. O processo de cicatrização pode levar de alguns meses até mais de um ano . Mas quanto mais você esperar, menos precisos os testes serão. Faça o teste antes de iniciar a dieta.

 7. "Seus intestinos pareciam bem por isso você não precisa de uma biópsia" ou , "Nós vamos tomar uma (ou duas) amostras para biópsia, para obter o diagnóstico . "

É fácil entender onde este conceito erra. Primeiro, é muito fácil para um médico deixar de perceber dano sem olhar sob um microscópio. A área da superfície de nosso intestino é aproximadamente do tamanho de um campo de ténis. Danos relacionados com a doença celíaca são irregulares, aparecem em algumas áreas e em outras não . Se eles só olharem para um ou dois pontos , eles podem não encontrar o dano.

Embora a doença celíaca possa ser diagnosticada com apenas uma biópsia, a recomendação é de tomar 4-6 fragmentos para biópsia. Apenas 35 % dos médicos estão seguindo estas recomendações. Quanto mais fragmentos tomados, maior a chance de um diagnóstico correto de doença celíaca. Então, se você ou alguém que você ama vai fazer uma endoscopia com biópsia, maximize as chances de um diagnóstico preciso ao escolher um médico com experiência e que siga as diretrizes atuais ( 5 ) .

8. Eu entrei em uma dieta especial / tomei suplementos especiais / tive um tratamento especial e meu intestino está agora curado, portanto eu posso voltar a comer glúten em segurança.

Por tudo o que sabemos , a doença celíaca é uma condição para toda a vida. Não importa quantas varinhas mágicas você use ou suplementos especiais que você tome, você deve permanecer sem glúten para a vida toda. Se você e sensível ao glúten , mas não têm doença celíaca, sinceramente, não sabemos ainda sobre os efeitos a longo prazo da reintrodução do glúten depois de seguir uma dieta livre de glúten.

9. Você precisa se alimentar sem glúten, mas tudo bem ter um dia de folga de vez em quando.

Eu aposto que você sabe que isso não é verdade, mas existem alguns médicos que ainda dizem isso! Uma migalha é tudo o que é preciso para ter danos continuados.  Até mesmo alguns miligramas  por dia é suficiente para deixar alguém doente. Um dia de escapada não é, definitivamente, uma opção segura.

References:
1. Kabbani TA, Goldberg A, Kelly CP. Body mass index and the risk of obesity in coeliac disease treated with the gluten-free diet. Aliment Pharmacol Ther 2012; 35: 723–729.
2. http://www.uchospitals.edu/pdf/uch_007937.pdf
3. Rashtak S, Murray JA. Celiac disease in the elderly. Gastroenterol Clin North Am. Sep 2009;38(3):433-46.
4. Rubio-Tapia A, Ludvigsson JF, Brantner TL. The prevalence of celiac disease in the United States. Am J Gastroenterol. 2012 Oct;107(10):1538-44.
5. Lebwohl B, Kapel RC, Neugut AI, et al. Adherence to biopsy guidelines increases celiac disease diagnosis. Gastrointest Endosc. 2011 Jul;74(1):103-9.
6. Biagi F, Campanella J, Martucci S. A milligram of gluten a day keeps the mucosal recovery away: a case report. Nutr Rev. 2004 Sep;62(9):360-3.


Wriiten by, Cheryl Harris. Find her at HarrisWholeHealth.com & gfGoodness.com

http://simplygluten-free.com/glutenfreemagazine/learn/celiac-myths-that-need-to-be-retired-for-good/

Quanto tempo vai demorar para que o meu intestino delgado se recupere da doença celíaca?

Jane Anderson - about.com

Tradução: Google / Adaptação: Raquel Benati


Se você tiver doença celíaca, você provavelmente sabe que a marca registrada da condição é o dano em seu intestino delgado - ou seja, algo chamado de atrofia das vilosidades.

Uma vez que você é diagnosticado e inicia a dieta sem glúten, essas vilosidades começam a se recuperar (e a maioria das pessoas começa a se sentir melhor). Mas quanto tempo leva para as suas vilosidades se recuperarem completamente? Infelizmente, estudos médicos indicam que, em muitas pessoas, as vilosidades intestinais 
nunca se recuperam completamente. No processo chamado de atrofia das vilosidades, a resposta de seu sistema imunológico à ingestão de glúten na verdade, corrói as pobres vilosidades, deixando-o incapaz (ou quase isso) de absorver adequadamente os nutrientes. 
Aqueles com
danos mais graves  relacionados com doença celíaca, literalmente, não têm vilosidades intestinais, enquanto que aqueles com danos menos graves têm algumas poucas vilosidades curtas em vez das saudáveis, as mais longas.
Pergunta: Quanto tempo vai demorar para o meu intestino delgado se recuperar da doença celíaca?
Resposta:
Infelizmente, o intestino delgado de muitos adultos nunca se recupera totalmente do dano causado pela doença celíaca (crianças geralmente conseguem uma recuperação completa). Mas a boa notícia é que você provavelmente vai se sentir muito mais saudável de qualquer maneira.
Quando você tem a doença celíaca, o glúten (proteína encontrada no trigo, cevada e centeio) incita o sistema imunológico a atacar o revestimento do intestino delgado. Isso resulta no que é chamado atrofia das vilosidades, onde suas minúsculas vilosidades intestinais (semelhantes a dedos), literalmente, achatam-se, deixando-o incapaz de digerir alimentos.
Quando você é diagnosticado com doença celíaca e começa a dieta livre de glúten, as suas vilosidades geralmente começam a cicatrizar. Mas vários estudos têm demonstrado que o seu intestino delgado pode não se curar completamente, mesmo quando você está seguindo uma dieta sem glúten muito cuidadosa.

Estudo: Dois terços recuperados em cinco anos

Um estudo, realizado na Clínica Mayo, em Minnesota e publicado em 2010, analisou os registros de biópsia intestinal de 241 adultos que tinham sido diagnosticadas com a doença celíaca, e que, em seguida, fizeram uma biópsia de acompanhamento.
Mais de quatro em cada cinco desses celíacos experimentou o que os médicos chamam de "resposta clínica" para a dieta - em outras palavras, os sintomas da doença celíaca ficaram melhor ou desapareceram completamente. Mas depois de dois anos, suas biópsias mostraram que apenas cerca de um terço tinha vilosidades intestinais que haviam se recuperado totalmente. Após cinco anos, cerca de dois terços tinham recuperado totalmente suas vilosidades intestinais.
Pessoas que em algum momento desrespeitaram a dieta sem glúten foram mais propensas a ter danos persistentes. Mas algumas daquelas que NÃO desrespeitaram a dieta sem glúten e que apresentavam diarreia grave e perda de peso e / ou atrofia das vilosidades total no momento do diagnóstico também apresentaram danos persistentes.
Curiosamente, quatro pessoas no estudo que não seguiram a dieta livre de glúten com cuidado em tudo, no entanto, tiveram suas vilosidades totalmente recuperadas. (Não tente isso em casa: os pesquisadores alertaram que eles arriscaram a ter uma renovação dos danos e complicações da doença celíaca ao longo do tempo.)
Um estudo australiano, onde os padrões de rotulagem sobre glúten nos alimentos são muito mais rigorosas do que nos Estados Unidos, descobriu que vilosidades intestinais de celíacos tenderam a melhorar entre 06 a 12 meses após o início de uma dieta livre de glúten, mas depois estabilizaram em um nível muito inferior ao de pessoas sem a doença celíaca.

Por que as pessoas não se recuperam totalmente?

Isso não está claro, mas os pesquisadores da Clínica Mayo especularam que a contínua contaminação cruzada de baixo nível de glúten ou o consumo inadvertido de glúten escondido poderia ser o culpado. Outros fatores poderiam incluir a genética, idade e o tempo de exposição ao glúten antes do diagnóstico.
Há também algumas evidências de que os adultos de outros países se recuperaram mais rapidamente e completamente do que nos EUA, o que levou os pesquisadores da Clínica Mayo à hipótese de que o "estilo de vida americano", com sua alimentação de fácil acesso ao fast food (e conseqüente exposição ao glúten ), faz com que seja mais difícil para os adultos norte-americanos consumir uma dieta limpa o suficiente para se recuperarem completamente.
Será que tudo isso importa? Talvez: o grau em que o seu intestino delgado se recupera pode afetar se você vai morrer cedo ou não. Pesquisadores descobriram evidências de que os celíacos cujas vilosidades intestinais não se curam completamente têm taxas maiores de mortalidade prematura. Mas outros estudos não identificaram essa ligação.
Claro que, em algumas pessoas, até mesmo uma dieta rigorosa sem glúten não consegue curar as vilosidades totalmente. Nestes casos raros, os médicos vão diagnosticar a doença celíaca refratária e tomar medidas alternativas, incluindo medicação, em um esforço para acalmar a reação autoimune.

http://celiacdisease.about.com/od/DiagnosisFollowUp/f/Celiac-Disease-Villi-Recovery.htm
  • FONTES: 

Cummins A.G. et al. Morphometric evaluation of duodenal biopsies in celiac disease. American Journal of Gastroenterology. 2011 Jan;106(1):145-50. doi: 10.1038/ajg.2010.313. Epub 2010 Aug 24.

Lebwohl B. et al. Mucosal healing and mortality in coeliac disease. Alimentary Pharmacology & Therapeutics. 2013 Feb;37(3):332-9. doi: 10.1111/apt.12164. Epub 2012 Nov 28.

Rubio-Sapio A. et al. Mucosal recovery and mortality in adults with celiac disease after treatment with a gluten-free diet. American Journal of Gastroenterology. 2010 Jun;105(6):1412-20. doi: 10.1038/ajg.2010.10. Epub 2010 Feb 9.

Wahab P.J. et al. Histologic follow-up of people with celiac disease on a gluten-free diet: slow and incomplete recovery. American Journal of Clinical Pathology. 2002 Sep;118(3):459-63.